Santos e Beatos

Há 300 anos, os Irmãos Lassalistas têm consagrado suas trajetórias à Educação Cristã de jovens do mundo inteiro. Muitos deles, inclusive, sacrificaram suas vidas pela missão educativa, tendo sido reconhecidos como Santos e Beatos, servindo de modelo àqueles que sonham com um mundo mais justo e cristão.

Mártires

Turón
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Mártires Turón

Desde 1919, os Irmãos Lassalistas mantêm juntos e por associação a Escola Nossa Senhora de Cavadonga, na cidade de Turón, na Espanha. Em 1934, oito Irmãos relativamente jovens ali trabalhavam em situação difícil. A escola era gratuita e atendia os filhos dos operários das fábricas. No ano anterior, as leis republicanas proibiram o ensino católico e a catequese em todas as escolas. Com astúcia, os Irmãos continuavam a obra. 

No início da vitória da revolução comunista, estava com a Comunidade o Padre Inocêncio da Imaculada, que viera atender as confissões dos alunos em preparação à primeira sexta-feira do mês. De manhã, os Irmãos se dirigiram para a capela conforme costume diário, e iniciou a Santa Missa. Pouco depois, muita gritaria e golpes no portão. O Irmão Marciano desceu e se enfrentou com uma turba de umas pessoas, armadas. Sem nenhuma autorização, invadiram o Colégio, entraram em todas as salas e quartos; reviraram tudo e arrebentaram os móveis. O Padre Inocêncio e os Irmãos da Comunidade receberam voz de prisão e foram levados, com brutalidade, para a prisão, para a "Casa do Povo", transformada provisoriamente em cadeia pública.

A Comunidade era formada por oito Irmãos: Cirilo Bertrán, 46 anos, Diretor; Marciano José, 33 anos; Vitoriano Pio, 29 anos; Benjamin Julián, 26 anos; Julián Alfredo, 31 anos; Augusto Andrés, 24 anos, Benito de Jesus, 24 anos e Aniceto Adolfo, com apenas 22 anos. O Padre Inocêncio, que estava de passagem, estava com 47 anos de idade.

Ficaram quatro dias no cárcere e muitos outros religiosos e católicos se juntaram a eles. O chefe da revolução resolveu dar uma lição ao povo e condenou os oito Irmãos e o Padre Inocêncio à morte. Ele mandou abrir, no cemitério local, uma vala de nove metros de comprimento.

No dia 9 de outubro de 1934, o próprio chefe e alguns companheiros foram à prisão, retiraram dela, ainda de madrugada, os oito Irmãos e o Padre Inocêncio, e os levaram para a execução, na encosta da colina, em frente à cidade. Todos foram enfileirados em frente à vala, com rosto voltado para a cidade. O pelotão atirou. Todos caíram. O chefe deu um tiro de pistola em cada um dos caídos. Mandou que fossem sepultados.

João Paulo II os beatificou em 29 de abril de 1990 e foram canonizados em 1999. A festa é celebrada a 9 de outubro. 

Mártires

Almeria
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Mártires Almeria

A Escola Almeria, na Espanha, contava em 1936 com 19 Irmãos das Escolas Cristãs: 15 atendiam ao Colégio São José e quatro, à Escola de Las Chocillas. Sete deles seriam escolhidos por Deus para receber a palma do martírio. Entretanto, não o sofreram na mesma data. Na noite de 30 para 31 de agosto, os Irmãos Edmígio, Amalio e Valério Bernardo foram trucidados. A 8 de setembro foi a vez dos Irmãos Teodomiro Joaquim e Evencio Ricardo sacrificarem suas vidas. E na noite de 12 para 13 de setembro foram imolados os Irmãos Aurélio Maria, Diretor do Colégio, e José Cecílio.

Fazendo parte do grupo de Almeria, foram martirizados D. Diego Ventaja Milán, Bispo de Almeria, e D. Manuel Medina Olmos, de Guadix. Todos formaram um único processo e a documentação, com os testemunhos e o relato do martírio, estiveram unificados desde o princípio. Os nove partilharam dos mesmos sofrimentos na cadeia.

Outros Irmãos do Colégio também estiveram presos, mas conseguiram se livrar da morte e, em geral, nunca se soube bem o porquê. As principais características dos Irmãos martirizados são:

IRMÃO AURÉLIO MARIA: era de bom caráter e alma simples. Bom professor e ótimo educador. Era ótimo religioso, prudente e estimava muitíssimo sua vocação. 

IRMÃO JOSÉ CECÍLIO: era muito serviçal e extremamente hábil nos trabalhos manuais. Religioso obediente, piedoso, exato cumpridor de seus deveres. 
IRMÃO EDMÍGIO: já como aluno era modelar. Como religioso era uma pessoa realmente piedosa, prudente, trabalhadora e abnegada. Sua piedade era manifesta e sincera. 

IRMÃO AMÁLIO: era simples e de caráter serviçal. Excelente professor de alunos menores, os quais o tinham em grande estima.

IRMÃO VALÉRIO BERNARDO: Exato cumpridor dos deveres religiosos e de professor. Caráter alegre e simples. Admirável exemplo de obediência religiosa. 

IRMÃO TEODORO JOAQUIM: Um jovem religioso afeiçoado à sua vocação, bom professor, zeloso, prudente. 

IRMÃO EVÊNCIO RICARDO: Religioso e educador modelar. Fazia propaganda pela reza do terço diário. Alegre, otimista e com vontade firme de estudar o máximo. 

O Papa João Paulo II beatificou o grupo a 10 de outubro de 1993 e fixou a festa destes Mártires Lassalistas para 16 de novembro.

Santo

Irmão Muciano Maria
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Santo Irmão Muciano Maria

Nasceu em Mellet, Bélgica, em 20 de março de 1841. Em casa recebeu uma educação cristã exemplar e, desde menino, já era um modelo para seus colegas, especialmente por sua devoção a Nossa Senhora. Deus o chamou para uma vida dedicada totalmente ao serviço dos meninos, especialmente dos pobres, para os quais sacrificou mais de 50 anos de sua existência.

Aos 15 anos entrou no Noviciado dos Irmãos das Escolas Cristãs, recebendo o nome de Irmão Muciano Maria, no dia da Apresentação de Nosso Senhor ou Purificação de Maria Santíssima. Sempre serviçal e muito obediente, esforçou-se para aprender a tocar piano, harmônio e outros instrumentos. No amor a Deus, encontrou forças suficientes para continuar nestas ocupações.

Como a Congregação fora fundada por São João Batista de La Salle, o Irmão Muciano solicitou permissão para dar catequese aos alunos do Colégio anexo, gratuito, encargo que desempenhou com dedicação extraordinária, fazendo descobrir a estes jovens as riquezas da fé. O bem que realizou com estas pobres crianças foi incalculável: estes jovens nunca esqueceram o belo testemunho dado pelo Irmão Muciano.

No final da vida, declarou: "Que felicidade a gente sente quando, perto de deixar este mundo, se teve uma grande devoção à Virgem Maria". Foi essa sua última mensagem, antes de falecer. Na manhã de 30 de janeiro de 1917, ele entregava sua alma a Deus. Imediatamente, a população o invocou como um santo, pedindo proteção e ajuda. 

O Papa João Paulo II o declarou Santo em 10 de dezembro de 1989. Sua festa está fixada para o dia 30 de janeiro.

Mártires

Valência
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Mártires Valência

Os cinco Beatos eram membros do Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs. Sua única preocupação era seguir a Jesus na vocação em que os havia chamado: santificar-se educando os meninos e os jovens, ensinando-lhes a viver cristãmente.

Quando começou a perseguição religiosa na Espanha, trabalhavam eles tranquilamente nas instituições educacionais da Província Lassalista de Barcelona. Viajaram para Valência para cumprir uma obrigação própria de seu labor educacional quando o Senhor os chamou para darem testemunho extremo.

Os verdugos nem os conheciam. Ao saberem que eram religiosos, consideraram isto pretexto suficiente para detê-los.

Os mártires são sinal da Igreja, Corpo de Cristo, que continua sendo perseguida e condenada à morte em seus membros. Mas estes olham fixamente para a aurora gloriosa da ressurreição. É esta a lição que nos dão os mártires, tanto os de ontem, como os de hoje. Devemos estar dispostos a imitar-lhes a generosidade.

Os Irmãos Florêncio Martín, Bertrán Francisco, Antônio León, Elías Julián, Donato Andrés e o Pe. Leonardo Buera, capelão do colégio de Bonanova, entregaram suas vidas por terem sido fiéis à sua condição de ministros e embaixadores de Jesus Cristo. Embora sabendo que a afirmação de sua condição de religiosos os levaria à morte, não duvidaram a confessar sua fé em Jesus e sua pertença ao Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs.

Estes cinco Irmãos, agora novos Mártires, não tinham outra ocupação senão seguir Jesus Cristo na vocação a que ele os havia chamado: procurar a salvação dos meninos e jovens, para sua plena realização, como seres humanos, como cristãos.

Os Irmãos foram beatificados com um grupo de 226 sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos da Diocese de Valência, pois foi nesta diocese que sofreram o martírio. D. Garcia Gasco, Arcebispo de Valência, realizou um trabalho muito profundo na busca de informações sobre os mártires e nas revisões legais do processo.

Beatificados pelo Papa João Paulo II, a 11 de março de 2001.

Santo

Irmão Jaime Hilário
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Santo Irmão Jaime Hilário

Manuel Barbal Cosan nasceu a 2 de janeiro de 1898 na localidade de Enviny, perto de Urgel, na Espanha. Sua infância se passou em ambiente cristão, no difícil trabalho da lavoura, nas montanhas. 

Antes dos 13 anos ingressou no Seminário Menor de Urgel. Em inícios de 1917 ingressou no Noviciado dos Irmãos das Escolas Cristãs e dois meses depois iniciou os estudos religiosos e pedagógicos, sob o nome de Irmão Jaime Hilário.

Terminada a preparação, dedicou-se à vida de educador e de catequista, em diversas cidades da Espanha. A 18 de julho estourou a Guerra Civil Espanhola. O Irmão Jaime, nesta oportunidade, se encontrava em Mollerussa; procurou refúgio em uma família conhecida. Mas foi preso e removido para o cárcere público de Lerida e, em dezembro, enviado para Tarragona. Ficou preso em um "barco-prisão", com muitos outros religiosos, entre os quais se encontravam seus antigos Coirmãos de Mollerussa.

A 15 de janeiro de 1937 foi citado perante o tribunal. Os colegas de prisão insistiam com ele para afirmar que era simplesmente jardineiro do Colégio. Mas ele respondeu: "prefiro dizer toda a verdade: eu sou religioso lassalista". O mesmo ele fez dizer ao advogado que, aliás, foi indicado pelo júri. Apesar de o mesmo requerer o indulto, este lhe foi negado; 24 outras pessoas conseguiram a liberdade. Somente ele foi condenado, pelo único fato de ser religioso.     

A 18 de janeiro de 1937, às 15h30, o Irmão Hilário foi fuzilado no Cemitério chamado "La Oliva", em Tarragona. O esquadrão de execução tomou posição e o mártir rezava, com as mãos cruzadas sobre o peito. À ordem de "Fogo!", os milicianos dispararam seus fuzis. Mas a vítima ficou intata. Nova ordem e nova fuzilaria: mas o condenado ficou de pé. Os soldados do esquadrão, estupefatos e temerosos, largaram as armas e fugiram. O chefe, furioso, aproxima-se da vítima, profere palavras injuriosas e, à queima-roupa, fez diversos disparos na cabeça do Irmão Jaime. Este ainda teve forças para gritar: "Morrer por Cristo é viver, meu rapazes!". 

O Irmão Jaime Hilário, como religioso, era exemplar: piedoso e fiel. Foi beatificado por João Paulo II a 29 de abril 1990. Foi canonizado pelo mesmo Papa João Paulo II em 1999. 

Sua festa é comemorada a 18 de janeiro.

Santo

Irmão Benildo
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Santo Irmão Benildo

Irmão Benildo (Pierre Romançon) foi o primeiro Lassalista canonizado pela Igreja. Ele viveu a santidade no cotidiano. Nasceu no povoado de Thuret, perto de Clermont, na França, em 14 de junho de 1805.

Entrou na Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs em 22 de junho de 1821, para preparação religiosa e pedagógica. Tirando forças de sua própria fraqueza, chegou a se tornar um gigante de santidade, dia após dia, nos curtos 57 anos de sua existência, passada em meio a problemas de saúde.

Teve uma vida muito ativa, típica de um verdadeiro Irmão das Escolas Cristãs, toda dirigida para Deus e para o próximo. O equilíbrio tão difícil e invejável da oração com a ação foi alcançado perfeitamente pelo Irmão Benildo e, em consequência, sua vida resultou em uma fecundidade apostólica digna de registro. Sua influência sobre os alunos do Colégio foi tal, que nos 20 anos de apostolado de Diretor centenas de rapazes abraçaram a vida sacerdotal ou a vida religiosa de Irmão Lassalista.

O Papa Pio XII, ao perguntar-se pelo segredo de santidade de São Benildo, descobriu-o na realização, dia após dia, do programa traçado pelas Regras da Congregação dos Irmãos. Aliás, o próprio Irmão Benildo já havia insistido com os Irmãos de sua Comunidade: "Para ser santo, pouco temos de fazer em nossa comunidade; é suficiente observar bem as Regras." Por este seu amor à Regra, colocaram-lhe nas mãos um exemplar, momentos antes de entrar em agonia; beijou reverente o livro.

O Irmão Benildo foi excelente professor e zeloso catequista, destacando-se como apóstolo da primeira Eucaristia. Em face dos trabalhos intensos e de sua dedicação, as forças se esgotaram rapidamente em prol da juventude que ele realmente amava e a qual consagrara sua vida, especialmente dos jovens pobres e desamparados. Faleceu a 13 de agosto de 1862.

O Papa Paulo VI o canonizou a 29 de outubro de 1967. A festa de São Benildo é celebrada na Igreja no dia 13 de agosto.

Oração de São Benildo:

Fulgura, São Benildo,

Tua fé e teu amor,

Teu zelo tão humilde:

Por nós roga ao Senhor.

Santo

Irmão Miguel F. Cordero
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Santo Irmão Miguel F. Cordero

O Irmão Miguel nasceu em Cuenca, Equador, em 1854. Filho de rica família, foi, em seu país, um dos primeiros Irmãos das Escolas Cristãs, os quais chegaram ao Equador em 1863. No batismo recebeu o nome de Francisco Febres Cordero. Aluno dos Irmãos, encantou-se com o trabalho e a dedicação desses abnegados educadores e resolveu imitá-los.

Iniciou lecionando nas escolas de Quito. Desde cedo se distinguira pelos profundos conhecimentos da Língua e da Literatura espanholas. Face à carência de livros didáticos, resolveu compor diversos compêndios, os quais, inclusive, foram adotados oficialmente pelo Governo Equatoriano, para todas as escolas públicas.

Foi chamado para integrar a Real Academia Equatoriana e nomeado Acadêmico Correspondente da Real Academia Espanhola.

As Leis de Combes haviam infligido duras perdas para as escolas lassalistas da França, desde 1904. Os Irmãos não poderiam mais exercer o apostolado específico, nas suas escolas, e isso justamente no país que dera origem à Congregação.

Como solução, a expatriação dos Irmãos era o único meio viável. Deveriam atuar em países de língua espanhola. Foram necessários os conhecimentos desta língua, falada em toda a América do Sul (exceto o Brasil) e em parte da América do Norte. O Irmão Miguel, em 1907, foi enviado para a Europa e encarregado de ministrar-lhes os conhecimentos necessários.

Teve por trabalho o preparo dos jovens religiosos que optassem pela América como campo de ação. Continuou sua vocação de escritor, e os mais de 10 mil fólios testemunham a incansável dedicação como professor e como literato.

Em Premiá de Mar viveu momentos trágicos, em 1909, e por isso foi transferido, juntamente com os 125 jovens, seus alunos, para Barcelona, pois o Colégio de Premiá fora ameaçado de destruição e de incêndio pelos revolucionários anticlericais. Faleceu em Premiá de Mar, em 9 de fevereiro de 1910.

Entre os documentos deixados, foram encontrados seus títulos de Acadêmico da Real Academia do Equador e da Espanha. Sabia-se que ele era um exímio gramático, respeitado, profundo conhecedor e que tinha diversas obras de gabarito publicadas. 

Irmão Miguel foi canonizado pelo Papa João Paulo II a 21 de outubro de 1984. A festa está fixada para o dia 9 de fevereiro. 

Beato

Irmão Arnoldo
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Beato Irmão Arnoldo

Irmão Arnoldo nasceu a 2 de setembro de 1838, perto de Metz, França. No batismo recebeu o nome de Júlio. Viveu 52 anos. Faleceu em Reims.

Filho de humilde sapateiro, estudava na escola pública e tinha como aspiração frequentar o magistério. Mas o minguado salário do pai não atendia as necessidades da casa e Júlio teve de abandonar os estudos e empregar-se em uma fazenda a fim de ajudar nas despesas da casa.  

Mas, procurando ganhar um pouco mais, conseguiu emprego em Charleville. Ajudou a construir a belíssima igreja. O tempo livre passava em oração pessoal e na preparação de alguns jovens para a Primeira Eucaristia. Um socialista que o conhecia bem disse dele: "excelente rapaz, trabalhador, responsável e amigo. Mas é santo demais!". 

À noite ele frequentava as aulas dos Irmãos Lassalistas, onde aprendeu a apreciar seus mestres e a admirar-lhes a vida. Este bom camponês se converteu em um dos melhores professores de uma instituição docente de renome. Todos louvavam seu saber e os conhecimentos gerais. Sua abnegação era algo extraordinário. Entre os Irmãos era humilde, perdido em Deus e caridoso com todos. Sobretudo as aulas de religião revelavam seu zelo apostólico mais ardente e inventivo.

Seus 12 anos de Mestre de Noviços foram de intensa vida espiritual, de oração, de humildade, penitência e dedicação aos formandos. Suas devoções principais foram a Eucaristia e a Santíssima Virgem.

No mês de novembro de 1888 adoeceu gravemente. Mas a sua força de vontade o fez trabalhar por mais um ano em seu ministério. Substituído, ocupou-se com os cuidados do jardim e dedicou-se de maneira especial aos Irmãos mais idosos de Reims. Na volta ao Colégio, ao passar junto a um professor que corrigia os trabalhos dos alunos, lhe segredou: "Ofereça seu trabalho a Deus, por seus alunos."

A 23 de outubro de 1890, sofreu o Irmão Arnoldo um derrame cerebral. Teve, no entanto, ainda forças suficientes para ir até a capela, a fim de fazer uma visita a Nosso Senhor. Levado ao quarto, recebeu os Santos Sacramentos e faleceu placidamente.

A 1º de novembro de 1987, foi beatificado pelo Papa João Paulo II e sua festa é celebrada em 23 de outubro.

Beato

Irmão Salomão Leclerq
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Beato Irmão Salomão Leclerq

O glorioso primeiro mártir da Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs, Beato Irmão Salomão Leclerq, nasceu a 15 de dezembro de 1745, em Boulogne-sur-Mer, na França. No batismo recebeu o nome de Nicolau. Não há registro fotográfico dele, mas pelas descrições podemos imaginá-lo de corpo robusto, estatura bastante elevada, enérgico, franco e sereno, como filho de família burguesa, da orla marítima. 

A Revolução Francesa o surpreendeu no cargo de Secretário do Superior Geral dos Irmãos das Escolas Cristãs, Irmão Agatão. Durante todo o tempo de perseguição à Igreja da França, ele se distinguiu como ardoroso propagandista das diretrizes do Papa e das publicações contrárias ao juramento revolucionário (desobediência ao Papa).

Esta atitude tão valente e cristã por diversas vezes quase o levou à prisão. Mas a 15 de agosto de 1792, segundo carta à sua irmã, confessa-se disposto a sofrer por Cristo, apesar de ele mesmo se achar indigno desta honra. Fazia 25 anos que ele se dedicava ao serviço do Senhor, nas obras da Congregação; mas os laços familiares, com todos os membros de sua família, continuavam afetivos e ternos.
 
Mas a hora de Deus estava se aproximando, como o recorda um Irmão Lassalista, em carta à Família Leclerq, a 22 de agosto de 1792, na qual dizia: "No dia 15, 50 homens da Guarda Nacional invadiram a casa onde residia o Irmão Salomão, revistaram tudo durante quatro horas e, afinal, levaram o Irmão preso e o encarceraram na igreja dos Carmelitas, juntamente com uma centena de outras pessoas. Consegui falar com ele, mas por pouco tempo, pois os guardas nos obrigavam a comunicar-nos em voz forte e por tempo bem limitado. O Irmão Salomão está muito bem disposto e aceita, muito agradecido a Deus, a ocasião de poder sofrer algo por Ele. As prisões continuam se multiplicando; cabeças são cortadas sem parar. Esta é a situação atual." 

Em breve, todas as ilusões se desvaneceram. A 2 de setembro, ante o boato da aproximação das forças armadas, o Irmão Salomão é convocado perante o júri, para um simulacro de julgamento. Todas as pessoas que haviam recusado prestar o Juramento da Constituição Civil do Clero foram trucidadas. No meio dessa hecatombe, tombou o Irmão Salomão Leclerq. O local do massacre foram os jardins e os pátios do Convento dos Carmelitas, na porta dos fundos da igreja.

Uma simples lápide de mármore recorda o fato, acontecido a 2 de setembro do
no de 1792, com os dizeres em latim: "Aqui foram trucidados". 

O Papa Pio XII proclamou Beatos o Irmão Salomão e seus companheiros mártires, a 17 de outubro de 1926. A festa do Beato Irmão Salomão é celebrada a 2 de setembro.

Beato

Irmão Escubilião
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Beato Irmão Escubilião

Bernardo Roussseau, pessoa honrada e cristão exemplar, exercia uma profissão extremamente cansativa: era talhador de pedra. Bernardo e Reina são os pais de João Bernardo, o primogênito da família, mais tarde conhecido sob o nome de IRMÃO ESCUBILIÃO. Além de João Bernardo, o casal teve mais três filhos: um menino e duas meninas. Apesar da luta pelo sustento da família e de uma acentuada pobreza, era uma família exemplar.
     João Bernardo nasceu a 22 de março de 1797, em plena tormenta revolucionária e uma violenta perseguição religiosa.
     Por este motivo, o batismo do pequeno foi efetuado às ocultas, como nos tempos das catacumbas, pois a Igreja da França vivia uma fase que se assemelhava àquela dos primeiros cristãos.
      O batizado foi feito às pressas, porque todos os sacerdotes viviam sob estrita vigilância, especialmente o Pe. Estêvão, por sinal muito zeloso pela salvação das almas dispersas.
     Por este motivo, o batismo do pequeno foi efetuado às ocultas, como nos tempos das catacumbas, pois a Igreja da França vivia uma fase que se assemelhava àquela dos primeiros cristãos. O batizado foi feito às pressas, porque todos os sacerdotes viviam sob estrita vigilância, especialmente o Pe. Estêvão, por sinal muito zeloso pela salvação das almas dispersas.
     Desde cedo, o jovem Bernardo compreendeu as responsabilidades de primogênito; iniciou por encarregar-se de cuidar carinhosamente dos irmãozinhos e auxiliar nos trabalhos, na medida do alcance de suas forças. Com um pouco mais de idade declarava-se inclinado para a vida religiosa. Estudou na escola pública e, em virtude de sua aplicação, não demorou a se tornar um valioso auxiliar do professor, sobretudo para os alunos com aprendizagem mais difícil.
     Aos 25 anos de idade deixou a casa paterna para ingressar na Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs, no Noviciado de Paris. Durante dez anos desempenhou as mais diversas funções, sempre disponível nos vários colégios que percorreu: professor, cozinheiro, jardineiro, horticultor. Fez um apostolado maravilhoso nestes colégios e seu apostolado não conhecia canseiras.
     Alguns anos após sua profissão perpétua, o Irmão Escubilião ofereceu-se para trabalhar, como missionário, na Ilha Burbon, atualmente chamada Reunião, África. Embarcou a 20 de abril de 1833, em companhia de dois colegas. Foram 85 dias de viagem para chegar a São Dionísio, centro administrativo da colônia francesa. Ao desembarcar declarou: "Nada me amarra a este mundo; farei todos os sacrifícios para a salvação das almas e a glória de Deus."
     Nesta terra montanhosa passou 34 anos em apostolado, primeiro com os brancos, pois era proibido instruir e catequizar os negros, que formavam a maioria da ilha. O Irmão Escubilião encontrou formas para abolir a distância entre ele e os oprimidos: unindo-se a eles para dizer que eram filhos de Deus... Todos os momentos estavam ocupados. Nunca pensou em voltar à pátria: esquecera sua terra natal por causa de uma doação total à terra de missão... Quando finalmente foi permitida a instrução religiosa aos escravos, seu zelo não conheceu mais limites.
     Todas as tardes, de 19h às 21h mais de trezentos escravos se reuniam para ouvi-lo, divididos em grupos, cada um sob a orientação de um monitor, devidamente preparado. Como os escravos esqueciam as verdades ensinadas, o Irmão inventava canções, frases, poemas e poesias, que repetiam freqüentemente essas verdades, assim decoradas aos poucos.
     Quando foi decretada a libertação dos escravos a 20 de dezembro de 1848, estes estavam preparados para assumir com responsabilidade sua emancipação. O santo missionário estava feliz. Mas o trabalho contínuo, sem descanso, as longas viagens e as numerosas aulas delapidaram as forças do herói dos escravos. Faleceu a 13 de abril de 1867.
     Mais de século já se passou, mas o povo não esquece o santo protetor. Os peregrinos acorrem aos milhares e seu túmulo mais se parece a um jardim florido. 
O Papa João Paulo II o beatificou a 2 de maio de 1989.

A festa é celebrada a 13 de abril.

Beato

Irmão Rafael Luis Rafiringa
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Beato Irmão Rafael Luis Rafiringa

Nasceu em Antananarivo, Madagascar, em 1856, filho de um funcionário da rainha. A vida do Beato nos começos transcorreu em um marco tradicional, em seguida sofreu a influência franco-inglesa e, por fim, totalmente francesa.

O Irmão Rafael Luis Rafiringa suscita grande interesse, também, porque suas vivências atravessam muitos e diferentes âmbitos: pagão, cristão, escolar, literário, político e até judicial. Foi um homem de Deus a quem as circunstâncias empurraram a sair do âmbito circunscrito à pequena escola para dar resposta por si mesmo a uma exigência da qual provavelmente nem ele mesmo compreendesse o alcance. 

Primeiro discípulo de São João Batista de La Salle em Madagascar, desafiou as ambições da família e pediu para unir-se àqueles “estranhos” missionários, não sacerdotes, recém chegados à ilha. O Irmão que se encarregou de acompanhá-lo na formação não lhe concedeu sua autorização de ingresso senão após sete anos de “aprendizagem”. Havia amadurecido de modo surpreendente, crescendo humana, cultural e religiosamente.

Escola, tradução de obras francesas, composição de textos escolares: estas foram suas constantes ocupações, até que, como consequência dos motins independentistas que estouraram na ilha, todos os missionários estrangeiros foram expulsos e ele se viu escolhido, por aclamação popular, chefe dos católicos. 

Quanto aos missionários foi concedida a possibilidade de regressar. Maravilhados encontraram as comunidades cristãs mais numerosas e fervorosas do que quando as haviam deixado. Este pagão, convertido em digníssimo filho de São João Batista de La Salle, é uma esplêndida demonstração do poder da graça de Deus quando encontra um terreno fértil. Por sua ciência, sua atuação e sua santidade é já uma das glórias mais genuínas das quais pode orgulhar-se a Grande Ilha.

No dia 7 de junho de 2009, foi beatificação em Antananarivo, por Bento XVI.  É o primeiro Irmão das Escolas Cristãs de Madagascar. Sua festa é celebrada em 19 de maio.

Mártires

Pontões de Rochefort
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Mártires Pontões de Rochefort

Fim do século XVIII, o Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs começa a dar passos ousados, criativos, em meio a uma situação política difícil: a Revolução Francesa. O Superior Geral, à imitação do Santo Fundador, incitava os Irmãos a permanecerem firmes na fé e fiéis à Igreja e ao Papa. Apesar da difícil situação, eram estranhas e edificadoras para os Irmãos as solicitações de abertura de comunidade e de escolas. Isto tudo lhes alimentava a esperança! 

Em abril de 1793 a situação se agrava: os Irmãos são aprisionados em distintos locais. O povo é incitado a matar os Religiosos, agora considerados inimigos. No dia 21 de outubro, todos os encarcerados que ainda se negam a prestar o juramento ao governo, contra a Igreja, são condenados à deportação para a Costa da África. Os condenados seguem uma verdadeira Via-Crúcis até Rochefort, litoral oeste da França, donde partiriam à deportação. Seguem em dois grupos. 

O primeiro partiu dia 25 de novembro, onde se encontrava o Irmão Rogério. Já o segundo grupo partiu dia 28, em que se encontravam os Irmãos Uldarico e Leão. 
A longa viagem até Rochefort é transformada em um humilhante espetáculo, do qual os prisioneiros são expectadores e partícipes. Ao chegar em Rochefort percebeu-se que os barcos que os transportariam até a África não estavam em condições para realizar tal viagem. Assim, aqueles barcos negreiros, chamados de pontões, são transformados em prisões flutuantes sobre o mar. 

Por fim, muitas Bíblias, crucifixos, livros de orações foram jogados ao mar... Rezar, somente às escondidas! Quatrocentas pessoas são amontoadas no barco "Os Dois Sócios", entre estes estavam os Irmãos. Sem ventilação, sem luz, sem espaço suficiente, sem alimentação, sem banheiros, eram tratados sem compaixão. O tempo passou, a situação tornou-se insuportável, e surge uma devastadora epidemia de tifo. Aos poucos a pequena Ilha Madame foi tornando-se cemitério de uma grande quantidade de mártires. 

No dia 12 de abril de 1795 foi decretada a liberdade para aqueles que conseguiram sobreviver. Na lista, ironicamente, figurava o nome do Irmão Rogério. Tarde demais! Dentre os sobreviventes ainda foi possível encontrar três Irmãos Lassalistas.

Foram beatificados pelo Papa João Paulo II em 1º de outubro de 1995 junto a 64 mártires companheiros. Sua festa é celebrada em 2 de setembro junto ao Irmão  Salomón.